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A salamandra no Tarot: o símbolo secreto do fogo nas cartas da corte do naipe de Paus

15 de jul.
2 min de leitura

Seja nas vestes ou no trono, bem visíveis ou meio escondidas, as salamandras sempre estão lá nas cartas da corte do naipe de Paus do Rider-Waite-Smith Tarot. Elas se parecem com um lagarto e, ao mesmo tempo, evocam o ouroboros pela forma circular como são representadas nas cartas.


A presença das salamandras em arcanos de Paus não poderia ser mais significativa, já que, na tradição esotérica ocidental, elas são consideradas espíritos do elemento fogo. Mas o seu simbolismo é ainda mais profundo. Veja a seguir o que mais ela representa:


Salamandra na carta Cavaleiro de Paus do tarot

A resistência ao elemento fogo


No Dicionário dos Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, a salamandra é descrita como uma “espécie de tritão que os Antigos julgavam ser capaz de viver no fogo sem ser por ele consumido”. 


Assim, a salamandra simboliza essa resistência ao fogo que permite uma vivência e um aproveitamento dele sem sofrer com os seus aspectos destrutivos.


Se olharmos para o fogo como símbolo das forças instintivas e criativas, inclusive no tarot, há algo muito interessante aqui. Nesse contexto, a salamandra pode também representar a

capacidade de se alimentar do “fogo interior dos instintos” sem perder o controle e cair nos excessos.


Nas cartas da corte do naipe de Paus, isso é essencial para que as qualidades dos arcanos se sobressaiam sem o risco do excesso de fogo que poderia gerar aspectos como agressividade, passionalidade, vícios e descontrole emocional de um modo geral.


A capacidade de extinção do fogo


Os autores do Dicionário dos Símbolos também contam que, por conta da sua frieza da salamandra, era atribuída a ela a capacidade de extinguir o fogo.


Esse é um aspecto muito interessante, pois, no contexto do fogo como símbolo dos instintos, coloca a salamandra como uma representação da capacidade de lidar com os instintos não apenas evitando ser dominado por eles, mas também tendo em si a “frieza” necessária para exercer um controle equilibrado sobre eles quando necessário.


Com o devido cuidado para não associarmos erroneamente a salamandra com a racionalidade, poderíamos pensar nessa frieza como uma consciência, uma serenidade, uma moderação ou algo nesse sentido.



O fogo da eterna transformação 


Considerando que a salamandra é, além de tudo isso que acabamos de ver, considerada como uma manifestação do próprio elemento fogo, encontramos nela também uma representação da transformação.


O fogo é visto como um elemento de transmutação. Queima e, assim, transforma. E a salamandra carrega também esse simbolismo, especialmente por sua relação com o fogo alquímico.


Mas há um detalhe importante nas cartas da corte do naipe de Paus do Rider-Waite-Smith Tarot: as salamandras são representadas em formas circulares que lembram muito o ouroboros (a serpente que morde o próprio rabo), forte símbolo da vida cíclica e da eternidade. 


Assim, podemos interpretar as salamandras nessas cartas não apenas como símbolos de transformação, mas também de uma transformação eterna, sempre presente no cerne da existência.


E então, de qual desses aspectos simbólicos da salamandra você gostou mais?


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